Era uma vez, um peixe.
Pequeno porte, mas grande coragem e coração. Aspirava o longe, queria sempre mais do que o mar podia te dar, queria sempre conquistar o que estava além de suas mãos. Mesmo o mar refletindo toda a sua realidade, seu aprendizado, sua vida, seu temperamento e imensidão, o mar nunca iria ser suficiente. Buscava no céu, na noite e no dia, tudo aquilo que ele podia e não podia ter. Buscava neles, todos os sentimentos que o mar nunca poderia te dar. Buscava neles, algo a mais, o sentido de tudo, uma frase.
Há muito o peixe observava o que podia de dentro do mar, nunca querendo arriscar o que tinha no seu cotidiano remoto. Mesmo se envolvendo com toda a paisagem, se mantinha no seu lar, no seu habitat, onde conseguia respirar e viver. Mesmo sem perfeita visão e foco ele observava o sol, o azul do céu e observou tanto as estrelas da noite que de tanto conviverem com ele nas noites em claro, criaram grande carinho um pelo outro. As estrelas eram sábias, as estrelas sempre o aconselhavam e o faziam se sentir em casa. Um belo dia, de nuvens amigáveis e ambiente agradável, o peixe decidiu ir a superfície. Então, nadando em direção ao céu ele foi. A cada centímetro mais perto dele o peixe fechava mais os olhos e mantinha seu corpo mais e mais fechado com medo de ser invadido por tudo o que havia além do seu conhecimento. Assim que pôs sua cabeça pra fora, sentiu uma coisa que nunca tinha sentido antes. Algo perfeito, que refrescava e realçava o gelado das suas escamas, era mágico e tinha som concomitantemente cortante e relaxante. Era a brisa. Mas por mais perfeita que fosse, a brisa ia embora. A brisa veio uma, duas, três vezes até que o peixe se cansasse dela. Ele pensou; a brisa vem e vai sempre retirando algo de mim. A brisa levava esperança e deixava só a vontade de ver ela passando outra vez. O peixe cansou da brisa, e ao invés de só sentir o que havia lá fora, resolveu abrir os olhos. Foi difícil se acostumar com o clarão do sol, mas assim que os abriu sua mente começou a enxergar a realidade. Viu o céu, e era de um azul tão bonito, que não acreditava ter vivido tantos anos sem saber como era. Viu as nuvens, viu o sol, e o sol, estava diferente. Antes filtrados pelas ondas constantes, agora ele era forte e vívido, era presente e sabia que podia confiar na sua força. O peixe se sentiu tão atraído pela sua energia luminosa que permaneceu a tarde inteira a observar o poder do sol sobre as coisas. O sol era incrível. Ele tinha uma presença muito forte, mesmo sem muitas vezes causar impacto. O sol deixou o peixe encantado. Ao chegar da noite, o peixe conheceu uma nova amiga, redonda e misteriosa. A Lua. Já tinha ouvido falar nela através das estrelas, mas não sabia que possui tanta beleza. A Lua iluminava com frieza, e poucos conheciam a suas fases. Sempre querendo mais, o peixe rapidamente procurou conhecer tudo o que tinha pra conhecer da sua nova amiga, e viu que quanto mais a absorvia mais a achava bonita. O pobre peixe conseguiu, somente desta vez manter-se acordado para observar as duas mais belas aparições do mundo, mas ele sabia que não poderia fazer disto um hábito. Era preciso se decidir aonde observar. Poucos dias, se passaram, o peixe pensando sobre quem estava sempre presente, no que deveria se arriscar. E enfim, o peixe tomou sua decisão.
'Eu não sei porque eu não consigo ver a beleza diante de mim.'
Eu ainda não.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
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