sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Crepúsculo das mãos dadas.

Despidiram-se. As mãos se deram e eu não sei ao certo se por desejo, costume ou carência. Só sei que permaneceram juntas. A cada passo dado por elas, eu sentia tudo ao meu redor esfriar. Escorriam meus sonhos, vontades e momentos em direção as escadas mais tristes e cinzas que alguém já viu e eu nunca havia reparado. Iam, as mãos, no pausado andar de degrais que tanto me pareciam o poente do dia que pra mim, nunca iria findar. De pouco em pouco meu sol se ia, levando outra estrela consigo. Que cena, que fecho, que merda. Meus olhos mesmo fechados e voltados para o chão olhavam para céu, eles rezavam. Não chore, por favor, eu pedia. Pedia força, pedia alguém, alguma coisa, um raio. Alguém que me iluminasse. Queria que aquilo acabasse, conseguir ficar sozinha, na escuridão. De pouco, em pouco, a cada momento mais um pedaço de mim era levado. E tudo era silêncio e barulho, orgulho e humilhação, ódio e amor, e tudo era, tudo aquilo que se foi, era nada. E de nada valia, de nada valia nada. Eu caminhei para casa, não sabia se corria ou rastejava, eu só sabia que eu não queria chorar. Eu queria te odiar. E num dado momento, já em casa, já no chão, revirando meus pensamentos em forma água... eu pensei: já é noite em mim.

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