quarta-feira, 5 de agosto de 2009

(Não) me deixe...

Poucas pessoas me entendem quando falo sobre ele. Fazem caras tortas, sorrisos enviezados e soltam algumas palavras de desapego. Poucas pessoas me entendem, mas sei que dentre as poucas, as que interessam que se entenda, se fazem por compreender. E é isso que importa, não é mesmo? Que quem partilhe do meu gosto, assim entenda os meus motivos. Ele sempre esteve lá para mim, desde o primeiro sorriso, a primeira vez que citaram meu nome. Sim, começo a história com primeira pessoa em demaseio, e sei que parece egoísmo. Vou me desculpar brevemente por isso, para que não pareça maldosa, porém tendo certeza que é exatamente assim que inicio. À princípio, o começo, e nada mais óbvio poderia ser tão prazeroso quanto o mesmo. O começo, sempre será o mais amado. O olhar inocente por trás dos ombros desajeitados, o sorriso sem graça e os dedos que catam as palavras certas em receio do rejeito. O medo. O medo por ter um jogo tão desconhecido à frente, por dar tanta expectativa a tantas coisas, por acompanhar o incerto e dar vasão à imaginação e aos sonhos de qualquer um que o tenha. (Não é a toa que o medo é o contrário do amor). Porém ao longo do caminho o medo é substituído por alguns fatos, e as linhas de um rosto torto é traçado, tendo aos poucos um certo tipo de luz, ainda misteriosa, o envolvendo. Agora, me dou um pouco por confusa, já não sei se falo de mim ou dele, mas quem se importa? O fato é que aos poucos se dá o dito, e dito pelo sentido acaba no desejo, desejo de ter atos. Expressar é tão dificil, a dor que se carrega no peito. O desejo de ter os seus braços, os lábios, os olhos e os meios para se alcançar tudo o que foi falado. Então, o entediante e previsível 'meio' se revela, dando nome ao que antes era novo em rotina, e assim tudo desatina, do nome, o sentimento é desfeito. A boca, já está seca e selada. Os sonhos mofados pelos dias de certeza. Tudo volta ao começo, porém agora, o começo do final. O medo retorna, um medo diferente, porém igualmente interessante. O medo de perder o que já se teve e viver uma vida nova. O medo de ter o novo, e o medo de se perder algo que não se deu valor. Tenho medo de perder-te. Medo de me perder de novo. Medo do que vem à seguir, e saber que as suas palavras, que as minhas palavras não são mais minhas. Medo de ver em você, alguém que não seja eu.

2 comentários:

Clara disse...

" Medo de ver em você, alguém que não seja eu. "

Lindo e exato.

Marcela disse...

Já que o outro foi apagado pela raiva e escrita por ela também, estou aqui para comentar sobre o que eu entendi sobre isso.

Ela sempre vai ver você nela mesma. Só isso que eu tenho a te dizer.