quarta-feira, 8 de julho de 2009
Resposta
A muito não escrevo, nem tenho visitado palavras amigas e amadas. Mas um costume, praticamente intrínseco de lê-la periodicamente, me trouxe aqui. Vai entender, hábitos antigos. De tempos em tempos vou lá, dar uma olhadinha, ver o que tem pensado ultimamente, e quem sabe por sorte, acabar me encontrando entre pontos e vírgulas? A vida é engraçada -digo influenciada pelo meu mais novo vício - há uns cinco minutos atrás estava deitada na cama, pensando no que iria fazer sobre o que lera. Há vinte e cinco minutos atrás, tentava entender se o que sentia enquanto lia era um pouquinho de mágoa, um pouquinho de raiva ou se era apenas um recurso automático pra situações recorrentes. Entre esses vinte minutos em que me ocupei em ler rapidamente o que tinha escrito, ouvi meus pais acordarem e fingi estar dormindo caso minha mãe abrisse a porta. Entre esses vinte minutos calada, conversei comigo e percebi que não sentia algum rancor pela perda. Perda essa, que aos poucos me fez lembrar de tudo o que me foi presenteado. A algum tempo vagando na minha mente, tive algumas coisas a ponderar como verdades. A primeira, é que não se pode viver sem os outros, e particularmente, muito mais que isso, não é possível viver sem amor. Amor, que nasce da combustão rápida e lenta de nossos desejos e sonhos mais secretos; que sem querer querendo, encontra alguém pra partilhar ou ao menos direcionar todo esse motivo, todo esse sentido que nos dá vontade de viver mais. Mas o que me importa hoje, não é descrever algo que deve ser só sentido no alheio e no abstrato (mesmo que esse alheio seja nosso próprio eu desconhecido e o abstrato, criações de nós para nós mesmos, tentando dar valor ao que não tem). O que me importa realmente, é dizer que o fruto de todo esse calor que arde em labaredas circulares são os laços que ligam a todos. Grandes, pequenos, frágeis, confusos, inquebráveis. De qualquer forma que sejam, nos ligam e por algum espaço de tempo, conseguem fazer tudo virar de cabeça pra baixo, transformar o que nos cerca, mostrando novos pontos de vista e nos fazer tremer dos pés a cabeça. Nesse pequeno espaço de tempo, são eternos. A vida é engraçada... há algumas meses atrás estava com elas e há alguns dias, a viúva que aqui guardo se acolhia entre meus dedos tortos, e colhia de mim um sorriso inocente de quem não tem algum fim de retornar o passado, mas deixar que um instante de boas memórias pudessem aquecer o meu e o seu coração mais uma vez. A intenção não era te machucar, muito menos sintetizar tudo o que se foi e o que resta em um pedaço de metal fajuto, que conseguiu ascender ao ouro, com apenas um gesto proveniente da pessoa certa. A intenção era um sorriso, assim como foi pela primeira vez, quando dada. Um sorriso que pra mim vale mais do que um número incalculável de círculos dourados de qualquer material que seja. Felizmente, te conheço muito bem para saber que você gosta de me ver nas coisas e transformar o que sente em objetos ou situações diárias. Chamas, luzes que acendem e apagam, flores, meninas em balanços e por fim, alianças. Quero que entenda que, por mais que se queira transformar alianças em uniões perpétuas, lanchonetes em igrejas góticas, e nosso amor em perpétuo temo dizer que talvez isso não seja possível, e não se precisa de sinais para saber disso. Como eu já disse, a vida é engraçada... porém, apesar das tristezas da realidade, posso te garantir que uma coisa sempre estará eterna e viva em nós; as lembranças. E, ao menos que o mundo acabe, e a nossa mente se esvazie, não as teremos mais. Sinto que nada foi perdido, e sim, ganho. Com esse simples ato, pensei no tanto que ganhei e o que eu realmente depositava naquele circulo fajuto. Era a chance ter apenas um segundo a mais daquele laço de fogo nos envolvendo e, assim... Poder ter aquele, aquele único olhar que você tanto diz que nunca mudou, de volta. E foi o que se deu. Você não percebeu, mas eu estava lá, e as pessoas que batiam palmas também. Mas eu vi que num dado momento, você conseguiu esquecer de todos os que estavam gritando o seu nome e olhar pra mim, como se estivéssemos num quarto escuro e estrelado, sozinhas. De tal forma que se pudesse ler em mim e em você a mesma frase perpetuada, não nos nossos dedos, mas nos nossos corações. Aquele olhar, foi a maior e a melhor lembrança que você poderia ter me dado, e é a verdadeira prova de que nada foi perdido.
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3 comentários:
Vi sua mensagem hoje de manhã e como tinha tempo vim ler e acabei postando uma coisa qualquer que não foi escrita de coração, mas agora eu estou aqui acompanhado de Cazuza e eu sei exatamente o que dizer.
Num lugar qualquer no meu subconsciente ela estava guardada, pra falar a verdade, eu a escondi de mim por medo de te encontrar aqui dentro e outro dia quando fui procurar me dei conta que eu esqueci onde estava. Hoje, quando reli meu texto, uma das última frases pra ser mais clara ("Ou até mesmo na minha mochila?") Me lembrei que foi lá que guardei para de alguma forma poder andar sempre contigo sem que te visse, apenas num íntimo e inseguro lugar. Você sabe que eu gosto de te ter por perto. E bem, na minha mochila você sempre estaria comigo e estaria sempre a salva. Ela ainda está lá, não botei num lugar mais seguro porque você sabe que entre o certo e o errado eu opto pelo inseguro, logo, prefiro pensar que você sempre vai ser essa minha dúvida, esse meu anseio, o meu maior e primeiro amor. Não tenho como explicar mas sempre que vou pegar alguma coisa dentro da mochila eu a sinto e consequentemente te sinto também. E isso de alguma forma me deixa em paz.
(...)
Te guardarei com todas as minha forças dentro do círculo fajuto e do meu coração que um dia bateu só por ti, pois como você mesma disse as lembranças sempre estarão ao nosso redor. Mas como diria Marisa monte "pois te quero livre também, como o tempo vai e o vento vem".
(...)
O meu pedido quando te olhei no quarto escuro foi que eu conseguisse amar novamente. E fechando os olhos agora, ouvindo barulhos de carro... Sinto que ele está mais próximo do que eu posso imaginar. Assim espero...
(...)
Eu mais do que ninguém te amo e desejo sua felicidade mais do que qualquer coisa, não sei se você se lembra, mas uma vez estávamos conversando sobre morte, vida... e você disse que daria sua vida por mim. Eu não lembro se eu disse alguma coisa, e por isso vim te lembrar que isso ainda vale, minha vida pela sua sem nem pensar duas vezes. Minha felicidade pela sua e assim vai. Não mudou muita coisa desde aquela época e eu ainda faria de tudo pra te ver feliz, mas agora mais do que fazer de tudo pra te ver feliz, mais do que a minha obrigação, eu QUERO que você seja feliz, eu preciso, pois essa é a minha maior felicidade.
Obrigada por tudo, flor, bebê. Me desculpa por todas as loucuras e pelas brigas.
(...)
Continue sendo essa pessoa (não preciso nem dizer maravilhosa) e continue distribuindo esse seu jeito por aí.
Um beijo enorme,
Paquitá.
Fico sem palavras até pra fazer um comentário.
Mas as maiores coisas do mundo cabem dentro de um olhar e tão pouco em objetos!
E vocês sabem disso.
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